Meu amor, escrevo-lhe à luz da lua, em meio ao inferno que
este mundo está se tornando. Olho para frente,
para trás e para os lados e as dunas que vejo parecem-me mais como vendavais
desfeitos por uma força maior. Das muitas coisas ao meu entorno, poucas tocam o
meu coração, acendem-me as pupilas, fazem o meu sangue correr. De nada me vale
esta lua se carrego de ti apenas uma foto manchada e uma lembrança nítida de tuas maçãs do rosto. Querida, estaria triste se ainda houvesse em meu coração
qualquer coisa além do desejo absurdo de lembrar de ti a cada milésimo de segundo, para
que assim, eu não te esqueças jamais. Eu sinto saudades. Os olhos da memória me falham,
talvez eu te veja mais bonita agora. Já não enxergo tuas veias saltando dos
braços ou teus olhos fundos de dor. Já
não encontro mais nas dunas as tuas
rugas na testa. Tudo que me resta é uma foto tua, quase tua. E ainda sou teu,
foi tudo que me restou: esta certeza. Enquanto não vejo tuas mãos delicadas e teus cabeços bagunçados, eu te imagino, te pressinto, pois o tempo passou, você
deve estar diferente na minha memória também. Te reinvento todos os dias para
que eu nunca me esqueça. E principalmente para que nunca esqueças, meu
amor, você ainda é tudo que eu tenho.
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